Temporada de chuvas traz à tona questões de infraestrutura urbana*

Com a chegada do período das chuvas, que vai até março, a população de Belo Horizonte assiste novamente a um cenário preocupante, com inundações e alagamentos. A morte causada pelo temporal de ontem (06/12) foi uma fatalidade, já que a queda da árvore foi provocada por um raio, de acordo com o Corpo de Bombeiros. Mas com a previsão de novas pancadas, a população de Belo Horizonte mais uma vez teme a repetição de tragédias como a da Avenida Vilarinho, em Venda Nova, que resultou em três mortes em novembro. A solução para a questão não é simples e passa ao menos pelos seguintes aspectos: necessidade de planejamento de obras de infraestrutura/drenagens por parte da administração pública, urbanização adequada dos grandes centros e aumento da permeabilização das áreas urbanas.

No que tange ao governo municipal, o Prefeito Alexandre Kalil se mostrou consternado com a tragédia da recente enchente em Venda Nova e afirmou que ainda em sua gestão o problema vai ser solucionado. Em entrevista coletiva recente, Kalil anunciou que a prefeitura vai assinar ordem de serviço para obras de contenção na Bacia do Córrego do Nado, que interfere na questão das enchentes da principal avenida daquela região.

As obras são necessárias e urgentes, mas é preciso tratar o problema de forma mais global e sistêmica, planejando intervenções importantes com antecedência. Obras de macrodrenagem, que incluem a ampliação de galerias e bacias de contenção, por exemplo, requerem um investimento significativo e devem ser projetadas com cautela e prazo, de forma integrada. Só dessa forma é possível garantir que a Engenharia traga a melhor solução para o problema e que ele não volte a acontecer.

Outra questão importante tem a ver com a ocupação dos grandes centros urbanos. Com a crescente urbanização e atividades industriais, as cidades se tornam cada vez mais populosas. O desenvolvimento na maioria das vezes não ocorre de maneira ordenada, com áreas de risco sendo ocupadas. Medidas preventivas são essenciais para que tais áreas sejam satisfatoriamente urbanizadas, recebendo tratamento adequado.

Por fim, é preciso reverter a crescente impermeabilização do solo urbano. Cabe ao poder público incentivar ações sustentáveis e modernas de urbanização, já previstas em outros países, mas que evoluem lentamente no Brasil. A adoção de pontos para a drenagem da água das chuvas em construções é uma dessas possibilidades.

* Lucas Horta, Engenheiro Civil / Presidente da regional Minas do Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva – Sinaenco-MG

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